— Ꭺʀᴋᴀɴᴜᴍ;

Unescapable Sin

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Unescapable Sin

Mensagem por Scheneader Stanckovic em 23/9/2013, 20:06

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Fic Original.
Genero: Vários (ação, aventura, romance, darkfic, sobrenatural, sei-la-o-que-mais)
Classificação: +17 (Só porque não gosto de impor restrições ao que eu escrevo. Mas alguns capítulos irão conter linguagem pesada, violencia e conteudo sexual, embora vá avisar antes quando tiver algo muito pesado. ^^)



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Scheneader Stanckovic
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Re: Unescapable Sin

Mensagem por Scheneader Stanckovic em 23/9/2013, 20:17


***

Capitulo 01

"And when the lights turn on again, the board has a new king..."

***





Os passos se apressavam pela grande entrada do castelo de Aalbourg. Neve, vento frio. O inverno estava cruel naquele ano. Grandes e frias gotículas de emaranhado branco e gelado caiam do ar em uma dança bela e persistente. A pele de Hans Rodger tremia com o contato próximo, e todos os pelos de seu corpo estavam eriçados. Frio? Não. Não era apenas isso. Aquela sensação não era normal. Era mais como um temor gélido. Um receio inexplicável do que aconteceria a seguir. Teriam todos aqueles pecados que cometera valido à pena?

Por instantes, ouviu um choro. Uma mulher desesperada que gritava, o sabor desagradável de metal tocando sua pele. Uma sinfonia, a canção de fundo que se misturava a seus sentimentos. Culpa? Essa não era mais justificável. Mas mesmo assim tudo lhe incomodava, a canção surda, o grito, o som de armas e a fuga. Uma agitação excruciante em contato com a calmaria. O silencio persistente quebrado por simplórias vibrações constantes e ritmadas, ainda assim, incômodas.

Não eram mais que um par de pés. Silenciosos, pequenos e ao mesmo tempo, sonoros como caminhões em carreira. Uma antítese que apenas ele poderia enxergar. Botas marrons, no mesmo tom odre de cobre envelhecido, tão leves quanto uma pena a cair, embora as constantes e profundas pegadas ainda fossem perceptíveis em um rastro não apagado. Mas que ser enlouquecido pela curiosidade teria coragem de segui-lo agora? Principalmente quando se encontrava no território milenar do conde Lut’ont? Invasões de propriedade nunca foram o tipo incidente mais comum na Dinamarca.

Hans respirou fundo, temeroso, sentindo o ar percorrer lhe as narinas, congelando lhe os pulmões e trazendo a tosse seca de uma velha pneumonia. Não era um bom dia para entregar mensagens, principalmente tão comprometedoras como aquelas. Traição. A palavra lhe soava como uma faca rasgando-lhe as entranhas em arrependimento. Seus braços comprimiram-se contra o casaco de pele de urso. Vinte e uma horas, seu prazo acabava tão ligeiro quanto os últimos resquícios de sua pobre vida frágil e finita. Como os odiava, como odiava aquela condição e tal monstro. Mas, como uma ovelha marcada ele era parte do rebanho, um escravo simplório, pronto para o abate sem misericórdia. Sua cabeça balançou em aceitação. Seus lábios trepidavam congelados. Aquele era o único jeito. Não havia mais como voltar atrás.

O corpo do homem gelou com mais um uivo baixo do vento, a distancia. Piedade, culpa. Talvez ele sentisse suas intenções, sua traição indevida. Sua garganta ficou seca e tremula diante da expressão sorridente e gentil da imagem de seu velho mestre em mente. Sorridente, jovial e risonho. Não devia parecer mais que vinte cinco anos humanos, e tinha o dom de atrair as pessoas. Lembrava-se de quantas vezes o ajudou, do quanto ria de suas piadas, de como o conduziu pelo castelo aos berros quando, ele mesmo, não passava de um garotinho das “vilas irmãs” quarenta anos atrás.

Não queria fazê-lo. Deveria ter guardado tudo em sigilo ou apenas não voltado. Deixado para sempre aquele inferno frio. Mas o que podia fazer? Era covarde demais. Tinha um novo senhor agora, e a obediência de seu juramento voltara-se ao novo herdeiro assim que seus passos deixaram o confortável descanso da mansão em Copenhague após o ritual ser proferido.

- Viagens noturnas não jaziam em seu protocolo, ao que me recordo. A neve também, sinto dizer, nunca foi, sua mais adorável amante, Rodger. Isso me faz perguntar... Sente frio após tal drástica e cruel caminhada?

A voz jovial e masculina irrompeu no Hall de entrada, embora um tanto fria, sem emoção e direta, como se um jogo de palavras tivesse apenas começado. O frio ainda fazia-o tremer como um rato pelado em uma nevasca, mas nem de longe aquele era o motivo de seu nervosismo. Muito pelo contrário, o vento gélido no cenário suntuoso do salão centenário se tornava o seu mais fiel aliado.

Medo. A sensação lhe atingia com o leve desconforto na espinha. O garoto, ou melhor, o homem a sua frente não trazia nada de bom, muito menos o carisma e a tolerância de seu antigo mestre. Ele o odiava, mas o dever sempre lhe fora maior que as vontades. Um escravo não tem opinião. Um servo nasce para servir até seu mestre dele se cansar.

O torpe servo então se encolheu diante daquela presença tão aterradora, capaz de fazer a tatuagem em seu peito corroer-lhe a carne e seu estomago revirar. Tremor, calafrios e medo. Aquilo anunciava a presença de um legítimo puro sangue. Realmente tinha que admitir que elas eram assustadoras desde que se entendia por gente e fora dado de presente, ainda bebe, para o casal de suseranos de sua província, mas naquele tempos, o próprio brilho gelado que via nos olhos de seu antigo senhor era capaz de assustá-lo. Diferentemente do garotinho solitário que outrora lembrava caminhar pelos jardins congelados, fazendo esculturas na neve. Não. Agora o rapaz era frio como gelo e tão inflexível quanto uma pedra. Tão implacável quanto o avô.

- Sinto pela minha resiliência, senhor.

O servo deixou sair por entre os seus lábios, de maneira tímida e nervosa. Seu corpo se inclinava em uma reverencia talvez exagerada e solene demais para sua aparência. Era magro. Não esquelético, mas relativamente mais esguio que a maioria dos outros homens. Cabelos negros como a noite e longos, caindo-lhe nas costas sobre o mundaréu de peles claras. Sua altura também não era nada a se destacar dos demais, sendo cerca de dez centímetros mais baixo que seu senhor, embora aparentassem possuir muito mais idade que esse. Falando em idade, suas expressões lhe envelheciam um pouco, o peso dos anos em uma pele desgastada pelo trabalho. Um ancião medroso perto do outro, um garoto de vinte e poucos anos, com um tom solene, frio e sério demais para uma pessoa tão jovem.

–Não voltará a acontecer.

Hans abaixou seus olhos em direção ao chão negro. Sua voz era tremula e baixa, como a de um humano acuado e evasivo. Fugia de seus olhos, fugia até mesmo de seu falar, embora soubesse que ele estava lhe ouvindo. Não. Muito mais que lhe ouvindo, lhe sondando. Seus batimentos acelerados, sua voz perdida, o suor que saia de sua pele. Ele não era mais que uma presa indefesa ali. Só esperava que, o predador estivesse com um estomago cheio e bom humor.

O outro estava de costas, com a atenção fixa em um quadro velho e cheio de teia de aranhas, onde quatro pessoas o observavam. Cabelos loiros, o mesmo tom albino e esbranquiçado de sempre, tons inquisidores e de represaria. Outra respiração funda. O garoto do quadro o olhava, olhos arroxeados e sérios, um brilho esperto e conhecido que fazia o mal estar e as questões atormentarem mais sua mente conflituosa.

Os ancestrais Lut’onts. Ou não tão ancestrais assim, ao que o servo poderia se lembrar, já que podia-os ver claramente como se a primavera de seu nascimento não excedesse trinta anos. Seria mais uma ferida de velhos espinhos contra a pele? Não. Era melhor não se envolver. “Ele” poderia se irritar com tal pretensão, mesmo que bondosa. O corpo do mais alto se moveu com leveza e sem som. Sua atenção se voltou ao homem chamado Rodger, que apenas sentiu as pernas bambas diante de sua expressão e de seus olhos. Azuis brilhantes. Vazios e ao mesmo tempo perigosos, como se o analisassem, raspando sua alma para fora do corpo. Tirando suas proteções. Deixando-o nu e indefeso. Olhos que podiam matar. Olhos de um soberano.

-Não é da minha vontade que volte. Afinal, você já o serviu não é? Confiança nunca fora uma de minhas virtudes, e reações à traição não constituem meu lado mais brando, como sabe.

Sua voz era calma, tranquila, mas cortava como gelo enquanto ele despia os homens de seus segredos. Sua postura imóvel, perfeita e senhorial, em uma sala de estandartes vermelhos e dourados e com pilastras regadas a ouro. Mesmo suas roupas e aparência pareciam impecáveis a sua postura. Pele branca e sem quaisquer imperfeiçoes, traços faciais bem definidos e belos, que poderiam ser descritos como divinos por humanos desinformados. Cabelos loiros enrolados tão claros e angelicais que poderiam ser confundidos com o branco da própria neve. O uniforme de linho principesco tinha tons claros como pasteis, que aos poucos se fundiam aos seus cabelos loiros esbranquiçados, lisos e longos. O garoto é uma estátua de gelo, compreendia o homem em uma amarga mistura de medo e admiração.

-Não me esqueço disso e do favor da misericórdia de seus avós. No entanto, meu proposito foi puramente científico.

O homem começou aos gaguejos, criando coragem para levantar o olhar. Do nada, os olhos de seu senhor pareciam mais interessados no que iria dizer. Até mesmo os outros membros da sala, que antes ignoravam-no pareciam querer lhe dar atenção. O casal silencioso de cotas de malha e cabelos azuis marinho pareceram se interessar pelo assunto. Normalmente, aquilo lhe daria mais confiança, mas dessa vez, apenas o mau pressentimento veio-lhe. Os velhos senhores Lut’ont. Não deveria informar aquilo aos dois anciões primeiro? Ou a Amelie? Mesmo diante da aparente loucura, a mulher ainda possuía na cabeça alguns parafusos mais antigos que a mente verde de um menino mimado. Não havia outra resposta, ele teve que continuar.

-O senhor Arthur...

O homem gaguejou ao falar aquele nome. Não tinha mais direito de usá-lo e talvez se arrependesse devido ao descaso dos outros dois ou os risinhos escondidos. Mas, mesmo que vacilasse diante da insatisfação de seu mestre ao ouvir o nome do traidor cheio de homenagens, a gula por informações que cercava o ar fazia-o não ver opções a não ser continuar.

– Arthur...

Corrigiu com a boca tremula.

– Ele está no limite de algumas ilhas ao norte da Irlanda. Hallow Harbor, imagino que o senhor deva conhecer o nome...

Uma pausa, um aceno em concordância por parte do vampiro e a garganta seca. Sua coragem e resoluções de antes diminuíam à medida que o relógio fazia o seu tique-taque. Hans não queria continuar, sabia que não devia, seria informação demais, traição demais. Mas aquilo não fora uma escolha que pudesse fazer. Os olhos lhe encaravam, parados, malignos, quase como se pudessem ler seus pensamentos. Como se quisessem uma confirmação. O homem engoliu o seco.

- Estava com a tal caçadora, embora as habilidades dela não sejam mais que simplórias e sua beleza não se compare nem de longe a da senhora Amelie...

Cuidado com palavras, até onde a lealdade poderia chegar? Até quando o rosto em sua cabeça pararia de culpa-lo? Pararia de exigir que não revelasse tudo. Suas pernas estavam bambas e conflituoso, ele quase caiu. A tatuagem queimava como se, essa própria, estivesse em uma luta próxima com duas entidades. A quem seu sangue era leal? A quem sua vida pertencia na verdade? Por que não conseguia falar aquelas últimas coisas para se salvar?

Toc, Toc, Toc. Sapatos elegantes caminhando pelo piso até pararem perto de Rodger. Sem notar, seu corpo havia caído e uma mão fria se estendia em sua direção. O corpo tremeu. Seus olhos negros subiram fixos até encontrarem-se com o fraco brilho azulado que parecia retirar-lhe tudo o que tinha. Eles eram impressionantes, cegantes e belos como nenhum outro, ao mesmo tempo perigosos e inquisitivos.

-Poderia ser mais especifico, por gentileza, meu caro amigo. Tenho certeza que, por mais bela que a senhora Amelie possa lhe parecer, ainda desejo saber sobre essa tal “caçadora”. Tem algo interessante além de fatos torpes e desimportantes?

Gentileza, delicadeza. O rosto de Gabriel se pintava de uma suavidade tão incrível que, mesmo sendo uma ameaça velada, o homem sentiu aquilo como um pedido de trégua. Talvez ele não fosse tão ruim assim, talvez devesse confiar em suas ações. Não, não. Balançou a cabeça. Tinha que lembrar. O caçula dos Lut’onts era muito mais perigoso que uma cobra venenosa. Ele mataria a todos sem pensar duas vezes.

- Ela está...

A voz do servo começou de novo, travando. Seu peito doeu ainda mais e uma poça de sangue saiu de sua boca. Quatro dos olhos observadores adquiriram um tom vermelho, já o do mais pálido apenas pareceu brilhar em compreensão. Não precisavam palavras, não haviam juramentos ou informações escondidas. Um sorriso quase satisfeito tomou o rosto do jovem garoto e a pele de Hans novamente gelou. Gabriel sabia de tudo, não a partir daquele momento, mas desde o inicio. Ele estava jogando e, qualquer que fosse esse jogo, parecia satisfeito com o seu Clímax.

-Ora, ora, por que treme tanto para simplesmente dizer que a caçadora está prenha?

Gabriel cortara o silencio com sua expressão fria e composta, quase satisfeita, embora Hans pudesse muito bem temer o contrário. Não. O que via não correspondia à realidade. O vampiro esticou mais a mão e, antes que o escravo pudesse notar, ele mesmo já estava em pé com a mesma sensação de insegurança em todas as habilidades. Aqueles olhos, sim, ele os conhecia. Implacáveis, frios e determinados, sem qualquer pingo de pena ou indecisão. Quase cruéis.

-Não machuco crianças, meu caro Rodger, devia saber disso. Não sou um bárbaro assassino, como aqueles monstros sem controle dos quais procura proteção.

Apesar das palavras calmas e tranquilizadoras, aquilo não conseguia exatamente tirar-lhe as marcas de medo da cabeça. A sensação de que algo ruim iria acontecer ou o frio da espinha. De qualquer forma, Hans não recusou quando o vampiro lhe ofereceu uma taça de vinho, muito menos falou com a bunda enfiada no assento do sofá negro, quase encolhendo-se.

Gabriel pareceu sinalizar algo para os outros dois e sorrir-lhe abertamente, acabando com um conteúdo de liquido vermelho semelhante a sangue em um copo, mas não movia ou falava. Era uma trégua, ou seria apenas mais uma parte do jogo? Um modo de deixa-lo nervoso? O bater constante e rápido do coração do homem era o único som na casa.

-Na verdade, o que acha de eu dar um presente a eles? Mesmo diante da indiscrição em não me informarem sobre tal “ocorrido”, acho que seria uma boa ideia que o futuro líder de uma poderosa linhagem dê um presente ao filho de Arthur e dessa caçadora, não acha?

Quase engasgando com o vinho diante da inquisição de olhos que lhe dissecavam, ele concordou com a cabeça sem desconfiar. Impulso, talvez houvesse abusado demais da sorte, e assim percebeu o sorriso satisfeito. O brilho vermelho nos olhos calmos do jovem pálido.

-Acho que também devo estender um presente especial para um fiel servo não é?

Pausadas, pesadas, misteriosas. Suas palavras atingiram-lhe mais fundo que as lâminas de espadas e, naquele momento, Rodger sentiu um medo inato e vontade de correr.

Na verdade, ele até se moveu, tentou se levantar. Mas seu corpo estava preso, seus músculos não respondiam e tudo soou mais como se contorcesse no mesmo lugar. Os passos, as pulsações de seu coração. Um grito surgiu, mas não quis continuar. Além do mais quem poderia ouvir?

O sangue puro balançou a cabeça como se não concordasse com tanta confusão ou gritaria. Talvez preferisse um jantar mais silencioso, algo mais obediente. Mas do que importava? Outro grito foi abafado, mas, dessa vez, demasiadamente consumido pelo desespero. As presas frias e dolorosas penetravam a carne de seu pescoço. O sangue fluía, junto aos resquícios de veneno. Aquele era o seu fim, os batimentos cansados e a dor provavam isso.

-Tyller, Lilith, consertem a bagunça. Não quero essa sala com esse fedor humano e essas marcas de sangue de um desajustado que não sabe agradecer por uma dadiva.

Hans pareceu escutar de longe, embora tudo o que pudesse fazer no momento fosse se debater e agonizar. Ele iria morrer, escutava as batidas descompassadas, sentia a dor e o liquido vital escorrer-lhe o pescoço.

- E depois acordem esse transformado infeliz e ajudem a conduzi-lo até Fitzett, precisamos de um emissário para convidar os Gnosty à um pequeno encontro familiar.

Ou talvez aquele não fosse o fim. Algo muito pior estava por vir. Só queria ter tempo de avisar Arthur, a culpa agora lhe corroía a alma.


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